JCR: 0,712; SJR: 0,339; H Index Scopus: 29; Qualis na área de Enfermagem: A1

ISSN: 1518-8345

  • USP
  • Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto USP
  • Who Collaborating Centre

Número Atual: V26

Artigos Originais

Adaptação e validação da Escala de Suporte Social Instrumental e Expressivo em idosos portugueses

Adaptation and validation of the Instrumental Expressive Social Support Scale in Portuguese older individuals

Lígia Lima, Célia Santos, Celeste Bastos, Marina Guerra, Maria Manuela Martins, Patrício Costa

Objetivo: adaptar e validar a Escala de Suporte Social Instrumental e Expressivo (IESS) em uma amostra de idosos. Método: estudo metodológico. A amostra de 964 idosos residentes em comunidade foi dividida aleatoriamente em dois grupos. O primeiro grupo foi utilizado como amostra de calibração para estudar o número de fatores subjacentes ao suporte social, pelo Método dos Eixos Principais, e o segundo grupo como amostra de validação para testar o modelo de “melhor ajuste”, por meio da Análise Fatorial Confirmatória. Resultados: a Análise Fatorial Exploratória indicou uma solução de três fatores, que foi confirmada pela Análise Fatorial Confirmatória. Os fatores foram semelhantes aos das dimensões preexistentes do instrumento original e foram denominados Sensação de controle (α = 0,900), Suporte financeiro (α = 0,802), Suporte Familiar e socioafetivo (α = 0,778). A Análise Fatorial Confirmatória mostrou um ajuste aceitável. Os índices de adequação do modelo foram satisfatórios (χ2/gl = 5,418; CFI = 0,903; NFI = 0,884; RMSEA = 0,098). A validade convergente foi confirmada por associações entre o suporte social e a adesão à medicação e o afeto positivo. A validação discriminante foi evidenciada por associação com o afeto negativo. A análise de confiabilidade mostrou valores de consistência interna elevados. Conclusão: o instrumento provou ser uma medida válida para a avaliação do suporte social em idosos.

Escala de eventos adversos associados às práticas de enfermagem: estudo psicométrico em contexto hospitalar português

Scale of adverse events associated to nursing practices: a psychometric study in Portuguese hospital context

Teresa Neves, Vitor Rodrigues, João Graveto, Pedro Parreira

Objetivo: contribuir para o estudo de validação da Escala de Eventos Adversos associados às Práticas de Enfermagem, em contexto hospitalar. Método: estudo transversal, em unidades hospitalares públicas, das regiões centro e norte de Portugal. A análise fatorial exploratória da Escala de Eventos Adversos associados às Práticas de Enfermagem foi desenvolvida em uma amostra de 165 enfermeiros e a análise fatorial confirmatória em uma amostra de 685 enfermeiros. Estimou-se a confiabilidade, consistência interna e validade de construto. A invariância do modelo foi avaliada em duas subamostras para confirmar a estabilidade da solução fatorial. Resultados: amostra global de 850 enfermeiros, com idades entre 22 e 59 anos, maioritariamente licenciados. Modelo com bom ajustamento global nas subescalas (Práticas de Enfermagem: χ2/df=2,88; CFI=0,90; GFI=0,86; RMSEA=0,05; MECVI=3,30; Eventos Adversos: χ2/df=4,62; CFI=0,93; GFI=0,95; RMSEA=0,07; MECVI=0,39). Estrutura fatorial estável, identificandose invariância de medida forte na subescala Práticas de Enfermagem e, na subescala Eventos Adversos, invariância estrutural. Conclusão: o modelo refinado da Escala de Eventos Adversos associados às Práticas de Enfermagem revelou boa qualidade de ajustamento e estabilidade da solução fatorial. O instrumento revelou-se ajustado para avaliar a percepção dos enfermeiros acerca dos eventos adversos associados aos cuidados de saúde, nomeadamente aos cuidados de enfermagem, em contexto hospitalar.

Estudo clínico randomizado sobre o tempo de compressão da artéria radial pós-cinecoronariografia eletiva

Randomized clinical study on radial artery compression time after elective coronary angiography

Maria Aparecida de Carvalho Campos, Claudia Maria Rodrigues Alves, Miriam Harumi Tsunemi, Maria Angélica Sorgini Peterlini, Ariane Ferreira Machado Avelar

Objetivo: comparar dois tempos de compressão da artéria radial pós-cinecoronariografia com curativo compressivo customizado, quanto à ocorrência de hemostasia e de complicações vasculares. Método: estudo clínico randomizado realizado em pacientes submetidos a cinecoronariografia eletiva pelo acesso transradial, alocados em dois grupos de estudo: G30, cujo curativo compressivo foi mantido por 30 minutos, e G60, no qual o curativo foi mantido por 60 minutos, ambos até a primeira avaliação de hemostasia. Foram avaliadas variáveis relativas aos pacientes, procedimento, ocorrência de hemostasia e complicações vasculares. A patência da artéria radial foi avaliada com ultrassonografia vascular com Doppler, imediatamente após a retirada da compressão e após 30 dias do procedimento. Resultados: a amostra foi composta de 152 pacientes no G30 e 151 no G60. A hemostasia foi evidenciada na primeira avaliação em 76,3% dos pacientes do G30 e em 84,2% do G60 (p=0,063). Ocorreram 91 complicações imediatas, sendo 53 hematomas e 38 oclusões da artéria radial. Foram identificadas 18 oclusões tardias, sendo 7 (5,5%) no G30 e 11 (8,2%) no G60. Conclusão: os diferentes tempos de compressão da artéria radial, após cinecoronariografia, não influenciaram significativamente a ocorrência de hemostasia e complicações vasculares. Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (Rebec): RBR-7VJYMJ.

Questionário de adaptação ao diabetes mellitus tipo I em pediatria: relação com a psicopatologia

Questionnaire on adaptation to type 1 diabetes among children and its relationship to psychological disorders

Laura Lacomba-Trejo, Selene Valero-Moreno, Sara Casaña-Granell, Vicente Javier Prado-Gascó, Marián Pérez-Marín, Inmaculada Montoya-Castilla

Objetivo: estudar as propriedades psicométricas do Questionário de Resposta Adaptativa à Doença em pacientes pediátricos com diabetes mellitus tipo I no contexto espanhol, analisar essa resposta na amostra em questão e observar a relação entre a resposta adaptativa e os níveis de ansiedade-depressão. Método: participaram do estudo um total de 100 pacientes com diabetes mellitus tipo I, com idades entre 9 e 16 anos (M = 12,28, DP = 1,78), dos quais 59% eram crianças. Os dados foram coletados em hospitais públicos por meio de entrevista, utilizando-se o Questionário de Resposta Adaptativa à Doença e a Anxiety and Depression Scale (Escala de Ansiedade e Depressão). Para análise dos dados, calculou-se confiabilidade, correlações de Pearson, regressões lineares e testes t em função do sexo e da idade. Resultado: o instrumento possui propriedades psicométricas adequadas. A resposta adaptativa é geralmente elevada. Essa resposta está negativamente relacionada ao sofrimento emocional, sendo um melhor preditor de depressão do que de ansiedade. Não há diferenças na adaptação à doença em função de sexo e idade. Conclusão: a promoção de uma melhor resposta adaptativa parece reduzir o sofrimento emocional, especialmente no caso de depressão, independentemente da idade ou sexo dos pacientes.

Ansiedade de mães de recém-nascidos com malformações congênitas nos períodos pré e pós-natal

Anxiety of mothers of newborns with congenital malformations in the pre- and postnatal periods

Fabíola Chaves Fontoura, Maria Vera Lúcia Moreira Leitão Cardoso, Sofia Esmeraldo Rodrigues, Paulo César de Almeida, Liliane Brandão Carvalho

Objetivo: analisar o nível de ansiedade das mães de recém-nascidos com malformações congênitas que receberam o diagnóstico no pré-natal e pós-natal. Métodos: estudo transversal com 115 mães de 117 recém-nascidos com malformação congênita internados em três unidades neonatais. Utilizou-se questionário contendo variáveis maternas e neonatais, e o Inventário de Ansiedade Traço-Estado. Os dados foram analisados pelos testes t de Student e Kolmogorov-Sminorv. O nível de ansiedade foi categorizado em baixo (percentil <25), moderado (25 a 75) e elevado (>75), com nível de significância de 5%. Resultados: a maioria das mães apresentou níveis moderados de ansiedade. Quanto ao recebimento do diagnóstico da malformação, 57% tiveram a notícia no pré-natal e 43% no pós-natal. O nível de ansiedade de quem recebeu o diagnóstico no pré-natal foi inferior aos que receberam no pós-natal, avaliado pelo Inventário de Ansiedade Traço (p=0,026). Conclusão: mães de recém-nascidos com malformações apresentam ansiedade moderada, e esta foi mais elevada quando o diagnóstico foi dado no pós-natal. O uso do Inventário de Ansiedade Traço-Estado pode proporcionar direcionamentos a outros estudos e à prática clínica.

Intervenções não farmacológicas no sono e qualidade de vida: estudo piloto aleatorizado

Non-pharmacological interventions for sleep and quality of life: a randomized pilot study

Mariana Alvina dos Santos, Ana Paula da Conceição, Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini, Marcia Aparecida Ciol, Margareth McLean Heithkemper, Diná de Almeida Lopes Monteiro da Cruz

Objetivo: estimar os efeitos de intervenções não farmacológicas para melhora da qualidade de sono e de vida de pacientes com insuficiência cardíaca. Método: estudo piloto de um ensaio controlado aleatorizado com 32 indivíduos alocados em quatro grupos. Sono foi avaliado pelo Pittsburgh Sleep Quality Inventory e qualidade de vida relacionada à saúde avaliada pelo Minnessota Living with Heart Failure Questionnaire, no início e nas semanas 12 e 24 do estudo. As médias dos desfechos por grupo de intervenção foram comparadas por análise de covariância, e os tamanhos dos efeitos calculados para cada grupo. Resultados: todos os grupos apresentaram melhora na qualidade de sono e de vida relacionada à saúde no final do período de intervenção (12 semanas) e no seguimento de 24 semanas, mas as diferenças não foram estatisticamente significantes (p entre 0,22 e 0,40). Em 12 semanas, os efeitos das intervenções variaram entre -2,1 e -3,8 na qualidade de sono e de -0,8 e -1,7 na qualidade de vida, com valores similares em 24 semanas. Conclusão: os efeitos obtidos neste estudo podem servir de base para cálculos de tamanho amostral e poder estatístico em estudos confirmatórios. Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos - RBR 7jd2mm

Dor no serviço de emergência: correlação com as categorias da classificação de risco

Pain in emergency units: correlation with risk classification categories

Wandressa Letícia Viveiros, Meiry Fernanda Pinto Okuno, Cássia Regina Vancini Campanharo, Maria Carolina Barbosa Teixeira Lopes, Gabriella Novelli Oliveira, Ruth Ester Assayag Batista

Objetivos: correlacionar as categorias da classificação de risco com grau de dor dos pacientes em um serviço de emergência. Método: estudo transversal, realizado no Acolhimento com Classificação de Risco com 611 pacientes. As variáveis estudadas foram: idade, sexo, comorbidades, duração da queixa, especialidade médica, sinais e sintomas, desfecho, cor atribuída na classificação de risco e grau da dor. Utilizou-se a Análise de Variância, teste Qui-Quadrado e teste da Razão de Verossimilhança. Resultados: a média de idade foi 42,1 anos (17,8), 59,9% eram mulheres, com classificação de risco verde (58,9%) e amarela (22,7%), e comorbidade prevalente a hipertensão arterial (18,3%). Intensidade de dor mais frequente foi moderada (25,9%). Na categoria vermelha, pacientes apresentaram maior percentual de ausência de dor; na azul, dor leve; e nas categorias verde, amarela e laranja, maior percentual de dor intensa (p<0,0001). Conclusão: dos pacientes que apresentaram dor, a maioria referiu intensidade moderada. Em relação às categorias de risco, a maior parte dos pacientes da categoria vermelha não relatou dor; os que foram classificados como verde, amarela e laranja referiram, na maioria das vezes, dor intensa; já os pacientes da categoria azul mencionaram, predominantemente, dor leve.

Prevalência de vaginose bacteriana e fatores associados em mulheres que fazem sexo com mulheres

Prevalence of bacterial vaginosis and factors associated among women who have sex with women

Mariana Alice de Oliveira Ignacio, Juliane Andrade, Ana Paula Freneda de Freitas, Gabriel Vitor da Silva Pinto, Marcia Guimarães da Silva, Marli Teresinha Cassamassimo Duarte

Objetivo: descrever a prevalência de vaginose bacteriana e fatores associados em mulheres que fazem sexo com mulheres. Método: trata-se de estudo transversal, descritivo e analítico com 150 mulheres. O padrão de microbiota vaginal foi analisado por microscopia do conteúdo vaginal corado pelo método de Gram. Amostras de secreção endocervical foram coletadas com cytobrush para a pesquisa de endocervicites por Chlamydia trachomatis e para infecção por Papilomavírus Humano por meio de reação em cadeia da polimerase. Dados sociodemográficos, de comportamento sexual e de história clínica foram obtidos por entrevista. Regressão logística foi realizada para identificar fatores de risco independentemente associados à vaginose bacteriana. Resultados: dentre as 150 participantes, 71 (47,3%) tinham alguma alteração da microbiota vaginal, 54 (36,0%) vaginose bacteriana e 12 (8,0%) Flora II. A variável independentemente associada com vaginose bacteriana foi o uso de acessórios sexuais [2,37(1,13-4,97), p=0,022]. Conclusão: a elevada prevalência de vaginose bacteriana entre mulheres que fazem sexo com mulheres aponta a necessidade de rastreio nessa população. O uso de acessórios sexuais associado a esse agravo sugere a possibilidade de transmissão de fluidos sexuais entre as parceiras durante o ato sexual, o que demonstra necessidade de ações de educação em saúde sexual e reprodutiva.

Relação do manejo familiar com aspectos sociodemográficos e de dependência física infantojuvenil em agravos neurológicos

Relationship of family management with sociodemographic aspects and children’s physical dependence in neurological disorders

Gisele Weissheimer, Verônica de Azevedo Mazza, Vanessa Ferreira de Lima, Maria de Fátima Mantovani, Márcia Helena de Souza Freire, Paulo Ricardo Bittencourt Guimarães

Objetivo: investigar a relação do manejo familiar com aspectos sociodemográficos e de dependência física de crianças e adolescentes com agravo neurológico. Método: estudo descritivo, transversal, realizado em um centro de neurologia infantil. Obteve-se amostra não probabilística de 141 familiares que responderam a dois instrumentos: a) Condição sociodemográfica das famílias; b) Medida de Manejo Familiar. Na análise estatística, utilizou-se o Coeficiente de Spearman e o Teste de Mann Whitney. Resultados: quanto maior o tempo de atendimento especializado, menor o escore de identidade (rs= - 0,209, p=0,01); maior o escore de esforço (rs=0,181, p = 0,03), de dificuldade familiar (rs=0,239, p = <0,001) e do impacto da doença na vida familiar (rs=0,213, p=0,01). As famílias de crianças e adolescentes com dependência física para as atividades de vida diária apresentaram maior escore nas seguintes dimensões: esforço de manejo (<0,001), dificuldade familiar (p=0,004) e visão do impacto da doença (p=<0,001). Conclusão: evidenciou-se correlação entre o manejo com os aspectos sociodemográficos e de dependência física infantojuvenil, com associação entre a dificuldade de manejo e maior tempo de atendimento infantojuvenil.

Tradução e adaptação transcultural da Hypertension Knowledge-Level Scale para uso no Brasil

Translation and cross-cultural adaptation of the Hypertension Knowledge-Level Scale for use in Brazil

Juliana Perez Arthur, Maria de Fátima Mantovani, Maria Isabel Raimondo Ferraz, Ângela Taís Mattei, Luciana Puchalski Kalinke, Roselene de Campos Corpolato

Objetivo: traduzir, adaptar transculturalmente e validar o conteúdo e aparência da Hypertension Knowledge-Level Scale para o uso no Brasil. Métodos: pesquisa metodológica realizada em seis estágios: tradução, síntese, retrotradução, comitê de especialistas, pré-teste e validação. A validação foi realizada pela técnica Delphi em duas rodadas. Os participantes foram dois tradutores e dois retrotradutores, oito profissionais para o comitê de especialistas, 40 participantes adultos para o pré-teste, 35 experts na primeira rodada de validação e 28 na segunda. Os dados foram analisados por meio do Alfa de Cronbach, índice de validade de conteúdo e teste t unilateral. Resultados: as etapas de tradução e adaptação transcultural permitiram a realização de ajustes linguísticos de modo que os itens fossem compreensíveis e adequados para uso no Brasil. O índice de validade de conteúdo da versão brasileira da Hypertension Knowledge-Level Scale foi de 0,96 e o Alfa de Cronbach 0,92. Conclusões: a escala foi traduzida, adaptada transculturalmente para o português do Brasil, teve seu conteúdo e aparência validados e demonstrou-se confiável para avaliar o conhecimento de adultos sobre hipertensão.

Carga alostática e companhia canina: um estudo comparativo utilizando biomarcadores em idosos

Allostatic load and canine companionship: a comparative study using biomarkers in older adults

Alejandro Morales-Jinez, Francisco J. López-Rincón, Alicia Ugarte-Esquivel, Irma Andrade-Valles, Luz Elena Rodríguez-Mejía, José Luis Hernández-Torres

Objetivo: comparar os biomarcadores e o nível de carga alostática em uma amostra de idosos com e sem companhia canina. Método: estudo descritivo e comparativo. Os dados foram coletados por meio de uma ficha sociodemográfica e uma amostra de sangue em jejum. A carga alostática incluiu 11 biomarcadores que são mediadores primários e secundários de estresse, os quais são resultantes dos sistemas: neuroendócrino, imune, metabólico, cardiovascular e antropométrico. Resultados: houve diferença significativa em dois biomarcadores: cortisol (t= -3,091; gl=104; p=0,003) e colesterol total (t= -2,566; gl=104; p=0,012), no nível de carga alostática entre os idosos com e sem companhia canina (U= 1714,00; Z= 2,01; p= 0,044). Ao associar o nível de carga alostática com a companhia canina, houve uma maior frequência de idosos com baixa carga alostática naqueles que têm companhia canina, em comparação com aqueles que não têm a companhia canina (χ2= 3,69; gl=1; p=0,043). Conclusão: a companhia canina interfere na saúde de maneira positiva, pois a carga alostática dos idosos que têm um cão como companhia é menor, além de apresentarem uma concentração menor de cortisol e de colesterol total.

Aspectos psicossociais do trabalho e distúrbios psíquicos menores na enfermagem: uso de modelos combinados

Psychosocial aspects of work and minor psychic disorders in nursing: use of combined models

Evelin Daiane Gabriel Pinhatti, Renata Perfeito Ribeiro, Marcos Hirata Soares, Júlia Trevisan Martins, Maria Ribeiro Lacerda, Maria José Quina Galdino

Objetivo: analisar o uso de modelos combinados para a avaliação dos aspectos psicossociais no trabalho e sua associação com a prevalência de Distúrbios Psíquicos Menores entre trabalhadores da enfermagem. Método: estudo transversal realizado com uma amostra de 285 trabalhadores de enfermagem. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionário estruturado contendo características sociodemográficas, ocupacionais e os instrumentos Demand Control Support, Effort-Reward Imbalance e Self-Reporting Questionnaire. Realizou-se análise descritiva e regressão logística múltipla. Resultados: a prevalência de suspeição de Distúrbios Psíquicos Menores foi de 32,6%. As dimensões de ambos os modelos associaram-se à saúde mental. Os modelos completos Desequilíbrio Esforço-Recompensa e Demanda-Controle e Suporte Social preveem os Distúrbios Psíquicos Menores em maior grau do que o uso combinado dos modelos parciais. Conclusão: constatou-se que o modelo Desequilíbrio Esforço-Recompensa captou melhor a magnitude dos Distúrbios Psíquicos Menores nessa amostra de trabalhadores em comparação ao Demanda-Controle e Suporte social. Contudo, o uso de ambos os modelos teóricos revelou contribuições singulares na avaliação dos Distúrbios Psíquicos Menores e considerando a complexidade do adoecimento mental é importante que diferentes fatores sejam avaliados.

Neuralgia Occipital: uma abordagem terapêutica não invasiva

Occipital Neuralgia: a noninvasive therapeutic approach

Pablo Jesús López-Soto, José Miguel Bretones-García, Verónica Arroyo-García, Margarita García-Ruiz, Eduardo Sánchez-Ossorio, María Aurora Rodríguez-Borrego

Objetivo: avaliar a aplicação de uma intervenção não invasiva que consiste em uma modificação postural usando modelos personalizados e osteopatia em pessoas com neuralgia occipital. Método: estudo retrospectivo da intervenção realizada em população adulta com neuralgia occipital que consiste de modificação postural empregando órteses plantares personalizadas e osteopatia, em um período de estudo de quatro anos. As variáveis observadas foram: persistência de cefaleia, alinhamento dos eixos, apoio plantar, centro de gravidade e centro de massa; dados da entrevista médica, escala visual analógica, sistema de análise de marcha Win-Track e o software Kinovea para análise de vídeo (instrumentos de avaliação clínica utilizados). Resultados: foram estudados no total 34 registros de pessoas com neuralgia occipital. Uma fração de 58,8% dos pacientes informou apresentar melhoria após a intervenção. Os dados da escala visual analógica foram fornecidos para 64,7% dos registros, encontrando diferenças significativas (p<0,001) entre as médias antes (8,4±1,7) e depois da intervenção (2,6±2,7). Conclusão: a modificação postural empregando órteses personalizadas e osteopatia melhora substancialmente a sintomatologia dos pacientes com neuralgia occipital.

Validação de instrumentos sobre a presença da família em procedimentos invasivos e reanimação cardiopulmonar pediátrica

Validation of instruments about family presence on invasive procedures and cardiopulmonary resuscitation in pediatrics

Cristiana Araújo Guiller Ferreira, Flávia Simphronio Balbino, Maria Magda Ferreira Gomes Balieiro, Myriam Aparecida Mandetta

Objetivo: construir e validar instrumentos para identificar as crenças dos profissionais da área de saúde relacionadas à presença da família da criança em procedimentos invasivos e em reanimação cardiopulmonar. Método: estudo fundamentado na Psicometria para conduzir as etapas teórica, empírica e analítica, desenvolvido em uma unidade neonatal de um hospital universitário. Os dois instrumentos foram construídos com base na literatura e aplicados a 96 profissionais da saúde. Resultados: Alpha de Cronbach do instrumento, relacionado às crenças dos profissionais em procedimentos invasivos, foi de 0,863, e do instrumento sobre reanimação cardiopulmonar, de 0,882. Em ambos os instrumentos, os testes realizados indicaram correlação entre os itens. Da análise fatorial, foram gerados quatro fatores: (1) benefícios da presença da família; (2) prejuízos para a prática profissional; (3) estratégias para a inclusão da família; e (4) limitação do aprendizado e da tomada de decisão pelo profissional. Conclusão: os instrumentos analisados obtiveram uma boa consistência interna e se configuram como indicadores das crenças dos profissionais com potencial para avaliar a qualidade da assistência à família nesse contexto.

Prevalência de hipertensão arterial e fatores de risco entre pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida

Prevalence of arterial hypertension and risk factors among people with acquired immunodeficiency syndrome

Gilmara Holanda da Cunha, Maria Amanda Correia Lima, Marli Teresinha Gimeniz Galvão, Francisco Vagnaldo Fechine, Marina Soares Monteiro Fontenele, Larissa Rodrigues Siqueira

Objetivos: verificar a prevalência de hipertensão arterial e seus fatores de risco entre pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida em terapia antirretroviral. Método: estudo transversal, com amostra de 208 pacientes. Coleta de dados realizada por meio de entrevista, com formulário envolvendo dados sociodemográficos, clínicos, epidemiológicos, fatores de risco para hipertensão, verificação da pressão arterial, peso, altura, índice de massa corporal e circunferência abdominal. Foram calculadas média, desvio padrão, odds ratio e intervalo de confiança e utilizados testet e teste do qui-quadrado, considerando-se estatisticamente significante P < 0,05. Variáveis associadas à hipertensão foram selecionadas para regressão logística. Resultados: destacaram-se pacientes do sexo masculino (70,7%), cor parda (68,2%), escolaridade entre nove e 12 anos de estudo (46,6%), sem filhos (47,6%), solteiros (44,2%), categoria de exposição sexual (72,1%) e heterossexuais (60,6%). A prevalência de pessoas com síndrome da imunodeficiência adquirida e hipertensão foi de 17,3%. Regressão logística confirmou influência da idade maior que 45 anos, história familiar de hipertensão, sobrepeso e terapia antirretroviral acima de 36 meses para ocorrer hipertensão. Conclusão: a prevalência de hipertensão foi de 17,3%. Pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida e hipertensão tinham mais de 45 anos, história familiar de hipertensão, sobrepeso e terapia antirretroviral por mais de 36 meses.

Transplante de células-tronco hematopoiéticas e qualidade de vida durante o primeiro ano de tratamento

Hematopoietic stem cell transplantation and quality of life during the first year of treatment

Angela da Costa Barcellos Marques, Ana Paula Szczepanik, Celina Angélica Mattos Machado, Pâmella Naiana Dias Santos, Paulo Ricardo Bittencourt Guimarães, Luciana Puchalski Kalinke

Objetivo: avaliar a qualidade de vida dos pacientes adultos com câncer hematológico comparando as modalidades de Transplante de Células-Tronco Hematopoiéticas durante o primeiro ano de tratamento. Método: pesquisa observacional, longitudinal, com 55 participantes; coleta de dados em seis etapas: pré-transplante, pancitopenia, pré-alta hospitalar, pós 100, 180 e 360 dias, em um hospital referência no Brasil para esse tratamento. Foram utilizados os instrumentos internacionais Quality of Life Questionnarie-Core 30 e Functional Assessment Cancer Therapy- Bone Marrow Transplantation, validados e traduzidos para a língua portuguesa (Brasil). Resultados: média de idade 36 anos, 65% (n=36) apresentaram diagnóstico de leucemia e 71% (n=39) submeteram-se ao transplante alogênico. No instrumento Quality of Life Questionnarie - Core30, o sintoma dor foi significante entre a primeira e a segunda etapa, e perda de apetite entre a terceira e a quarta etapa, ambos no grupo alogênico. No instrumento Functional Assessment Cancer Therapy- Bone Marrow Transplantation, o domínio bem-estar funcional apresentou-se significante entre a terceira e a quarta etapa, também no grupo alogênico. Conclusões: embora a agressividade do tratamento afete a qualidade de vida, os pacientes a consideram satisfatória após o primeiro ano. Há poucas diferenças significantes entre autólogos e alogênicos, e ambos se recuperam no decorrer do processo.

Construção e validação dos marcos de competências para formação do enfermeiro em urgências

Construction and validation of competency frameworks for the training of nurses in emergencies

Fernanda Berchelli Girão Miranda, Alessandra Mazzo, Gerson Alves Pereira-Junior

Objetivo: construção e validação dos marcos de competências a serem desenvolvidas na formação do enfermeiro para a assistência de pacientes adultos em situações de urgência com foco na abordagem das vias aéreas, ventilação e circulação. Método: estudo descritivo e metodológico que ocorreu em três fases: na primeira, realizou-se uma revisão da literatura e uma oficina composta por sete experts para a construção dos marcos de competências; na segunda, participaram 15 experts para a validação de aparência e conteúdo por meio da Snowball Technique e da Técnica Delphi, realizada a análise de conteúdo das sugestões e calculado o Índice de Validação de Conteúdo para aferir a concordância quanto à representatividade de cada item; na terceira fase, participaram 13 experts, na qual houve a concordância final do material apresentado. Resultados: os experts em maioria eram enfermeiros, com pós-graduação e atuação profissional na temática do estudo. Foram construídos e validados marcos de competências para a formação do enfermeiro na abordagem das vias aéreas, respiratórias e circulatória. Conclusão: o desenvolvimento do estudo proporcionou a construção e validação dos marcos de competências. Ressalta-se sua originalidade e potencialidades para orientar docentes e pesquisadores de maneira eficiente e objetiva no desenvolvimento prático das competências na temática.

Correlação entre religiosidade, espiritualidade e qualidade de vida em adolescentes com e sem fissura labiopalatina

Correlation between religiosity, spirituality and quality of life in adolescents with and without cleft lip and palate

Francely Tineli Farinha, Fábio Luiz Banhara, Gesiane Cristina Bom, Lilia Maria Von Kostrisch, Priscila Capelato Prado, Armando dos Santos Trettene

Objetivo: correlacionar a espirutualidade e a religiosidade com a qualidade de vida de adolescentes com e sem fissura labiopalatina. Métodos: estudo transversal e correlacional, englobando dois grupos, caso (n= 40) e comparativo (n= 40). Para a coleta de dados, utilizou-se a Escala de Religiosidade de Durel e o World Health Organization Quality of Life Bref. Para a análise estatística, os testes de Mann-Whitney, Qui-Quadrado, t-Student e de Correlação de Pearson foram utilizados, com nível de significância de 5% (p≤0,05). Resultados: a religiosidade organizacional e a qualidade de vida global foram significativamente maiores no grupo caso (p=0,031 e p=0,012, respectivamente). Referente à qualidade de vida, o Domínio Meio Ambiente foi significativamente maior no grupo caso (p<0,001). Ao se correlacionar a religiosidade e a espiritualidade, a religiosidade não organizacional apresentou forte correlação (r=0,62) com a religiosidade organizacional (p<0,001). Ao se correlacionar a religiosidade e a espiritualidade com a qualidade de vida, identificou-se somente correlação moderada entre a espiritualidade e a qualidade de vida global (r=-0,35; p=0,026). Conclusão: evidenciou-se a não existência de relação entre a religiosidade e a espiritualidade com a qualidade de vida entre adolescentes com fissura labiopalatina, para a maioria dos aspectos avaliados.

Efeito do pré-aquecimento na manutenção da temperatura corporal do paciente cirúrgico: ensaio clínico randomizado

Effect of preheating on the maintenance of body temperature in surgical patients: a randomized clinical trial

Cibele Cristina Tramontini Fuganti, Edson Zangiacomi Martinez, Cristina Maria Galvão

Objetivo: avaliar o efeito do pré-aquecimento na manutenção da temperatura corporal de pacientes submetidas a cirurgias ginecológicas eletivas. Método: foram randomizadas 86 pacientes, sem cegamento, para receber cuidado usual (aquecimento com lençol de algodão e cobertor) ou pré-aquecimento com o uso do sistema de ar forçado aquecido, durante 20 minutos (38°C). Todas as pacientes foram aquecidas de forma ativa durante o período intraoperatório. Os dados foram coletados da admissão da paciente no centro cirúrgico até o final da cirurgia. A temperatura corporal foi mensurada durante os períodos pré e intraoperatório com termômetro timpânico infravermelho. Para a temperatura e umidade do ar da sala cirúrgica, utilizou-se o termo-higrômetro. Resultados: os dados indicaram homogeneidade entre os grupos investigados. Não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos após o pré-aquecimento (p=0,27). Ao final da cirurgia, a temperatura média dos grupos estudados foi igual (36,8°C), com diferença estatisticamente não significante (p=0,66). Conclusão: o pré-aquecimento com o sistema de ar forçado aquecido teve efeito semelhante ao cuidado usual na temperatura corporal de pacientes submetidas a cirurgias ginecológicas eletivas. ClinicalTrials.gov n. NCT02422758. CAAE, n. 38320814.2.0000.5393.

Efeito do ambiente da prática do enfermeiro nos resultados do trabalho e clima de segurança

Effect of the practice environment of nurses on job outcomes and safety climate

Gisele Hespanhol Dorigan, Edinêis de Brito Guirardello

Objetivo: propor e analisar um modelo teórico que mensura o efeito da percepção de enfermeiros quanto ao ambiente da prática no clima de segurança, na satisfação no trabalho, na intenção de permanecer tanto no emprego quanto na profissão e no burnout. Método: estudo correlacional com amostra probabilística de 465 enfermeiros. No modelo teórico, as dimensões do ambiente da prática foram consideradas variáveis independentes e satisfação no trabalho, clima de segurança, intenção de permanecer no trabalho e na profissão e burnout, variáveis de resultado. Para análise, utilizou-se o método de Modelagem de Equações Estruturais. Resultados: realizaram-se pequenos ajustes no modelo e as dimensões do ambiente da prática foram preditoras da satisfação no trabalho (R2 = 43%), do clima de segurança (R2 = 42%) e burnout (R2 = 36%), bem como da intenção de permanecer na instituição (R2 = 22%) e na profissão (R2 = 17%). Conclusão: o ambiente da prática mostrou forte impacto na satisfação no trabalho, clima de segurança e burnout, com moderado impacto na intenção em permanecer na instituição e na profissão. Os achados podem ser utilizados para o gerenciamento da assistência em instituições de saúde, com enfoque na promoção da retenção de enfermeiros e melhoria do clima de segurança.

Financiamento:CNPqSIBi

Contato

Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Revista Latino-Americana de Enfermagem
Av. Bandeirantes, 3900 - Vila Monte Alegre
CEP: 14040-902 - Ribeirão Preto, SP, Brasil

Telefone: +55 (16) 3315-3451, +55 (16) 3315-4407
E-mail: rlae@eerp.usp.br