JCR: 0,634; SJR: 0,396; H Index Scopus: 26; Qualis na área de Enfermagem: A1

ISSN: 1518-8345

  • USP
  • Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto USP
  • Who Collaborating Centre

Número: V22N6

Editorial

Estratégia para o acesso universal à saúde e cobertura universal de saúde e a contribuição das Redes Internacionais de Enfermagem

Strategy for universal access to health and universal health coverage and the contribution of the International Nursing Networks

Silvia Helena De Bortoli Cassiani

Artigos Originais

Avaliação da força muscular perineal no primeiro trimestre da gestação

Evaluation of perineal muscle strength in the first trimester of pregnancy

Adriana de Souza Caroci; Maria Luiza Gonzalez Riesco; Bianca Moraes Camargo Rocha; Letícia de Jesus Ventura; Sheyla Guimarães Oliveira

Objetivos: analisar a força muscular do assoalho pélvico de gestantes com um ou mais partos normais ou cesarianas; comparar a a força muscular do assoalho pélvico dessas gestantes com a de primigestas. Método: estudo transversal com gestantes até 12 semanas de gravidez, realizado em Itapecerica da Serra, SP, de dezembro de 2012 a maio de 2013. A amostra foi composta por 110 gestantes, com um ou mais partos normais ou cesarianas e 110 primigestas. A força muscular do assoalho pélvico foi avaliada pela perineometria e palpação digital vaginal (Escala de Oxford modificada). Resultados: a média da força muscular do assoalho pélvico em gestantes com antecedentes de parto normal ou cesariana foi 33,4 (desvio-padrão=21,2) cmH2O. Pela escala de Oxford, 75,4% das gestantes com partos ou cesarianas anteriores apresentaram grau ≤2 e 5,5%, grau ≥4; entre as primigestas, 39,9% apresentaram grau ≤2 e 50,9%, grau ≥4, com diferença estatisticamente significante (p<0,001). Pela perineometria, não houve diferença estatisticamente significante entre a força muscular do assoalho pélvico e idade, tipo de parto, paridade, índice de massa corpórea e sintomas do trato geniturinário, mas houve entre as gestantes com e sem antecedente de episiotomia (p=0,04). Na palpação, nenhuma das variáveis mostrou diferença estatisticamente significante. Conclusão: a gravidez e o parto podem reduzir a força muscular do assoalho pélvico.

Adesão medicamentosa e qualidade de vida em idosos com retinopatia diabética

Medication adherence and quality of life among the elderly with diabetic retinopathy

Fernanda Freire Jannuzzi; Fernanda Aparecida Cintra; Roberta Cunha Matheus Rodrigues; Thaís Moreira São-João; Maria Cecília Bueno Jayme Gallani

Objetivo: investigar os fatores relacionados à adesão medicamentosa e sua relação com a qualidade de vida relacionada à saúde em idosos com retinopatia diabética. Método: foram entrevistados 100 idosos, em acompanhamento ambulatorial, em uso de anti-hipertensivos e/ou antidiabéticos orais/insulina. A adesão foi avaliada pela proporção de adesão e sua associação com os cuidados no uso dos medicamentos e pela Escala de Morisky. O National Eye Institute Visual Funcioning Questionnaire foi utilizado para avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde. Resultados: A maioria (58%) relatou o uso de 80% ou mais das doses prescritas e os cuidados na tomada dos medicamentos. O item "interromper o uso dos medicamentos por se sentir pior", da Escala de Morisky, explicou 12,8 e 13,5% da variabilidade da proporção de adesão aos anti-hipertensivos e aos antidiabéticos orais/insulina, respectivamente. Conclusão: observou-se melhor qualidade de vida relacionada à saúde nos domínios visão de cores, dirigir automóvel e apectos sociais do National Eye Institute Visual Funcioning Questionnaire. Indivíduos com menor pontuação na National Eye Institute Visual Funcioning Questionnaire e maiores escores na Escala de Morisky apresentaram maiores chances de serem não aderentes aos medicamentos do diabetes e da hipertensão arterial.

Qualidade de vida/espiritualidade, religião e crenças pessoais de adultos e idosos renais crônicos em hemodiálise

Quality of life/spirituality, religion and personal beliefs of adult and elderly chronic kidney patients under hemodialysis

Suzana Gabriela Rusa; Gabriele Ibanhes Peripato; Sofia Cristina Iost Pavarini; Keika Inouye; Marisa Silvana Zazzetta; Fabiana de Souza Orlandi

Objetivo: avaliar a qualidade de vida de pacientes renais crônicos em hemodiálise, por meio do WHOQOL-bref e WHOQOL-Spirituality, Religion and Personal Beliefs. Método: trata-se de um estudo descritivo, de corte transversal, realizado em uma unidade de terapia renal substitutiva do interior do Estado de São Paulo. Os 110 sujeitos que atenderam os critérios de inclusão responderam ao Instrumento de Caracterização dos Sujeitos, ao WHOQOL-bref e WHOQOL-Spirituality, Religion and Personal Beliefs. Resultados: a maioria dos respondentes era do sexo masculino (67,27%), com idade média de 55,65 anos, católica (55,45%), com ensino fundamental incompleto (33,64%) e sem ocupação formal (79,08%). Os domínios do WHOQOL-bref com maior e menor pontuação média foram, respectivamente, “psicológico” (µ=74,20) e “físico” (µ=61,14). Os domínios do WHOQOL-Spirituality, Religion and Personal Beliefs de menor e maior pontuação média foram, respectivamente, “totalidade e integração” (µ=4,00) e “fé” (µ=4,40). Conclusões: os respondentes apresentaram elevados escores de qualidade de vida, especificamente nas dimensões referentes à espiritualidade, religião e crenças pessoais. Evidenciaram-se prejuízos no domínio físico da qualidade de vida, possivelmente em decorrência das alterações resultantes da doença renal crônica e do tratamento hemodialítico.

Processo saúde/doença e estratégia de saúde da família: o olhar do usuário

The health-disease process and the family health strategy: the user’s perspective

Débora de Souza Santos; Elainey de Albuquerque Tenório; Mércia Zeviane Brêda; Silvana Martins Mishima

Objetivo: analisar os significados atribuídos pelos usuários da Atenção Primária à Saúde ao seu processo de saúde/doença e aos serviços utilizados. Métodos: pesquisa qualitativa utilizando a técnica do grupo focal para entrevista com dois grupos de usuários acompanhados pelo serviço, sendo o primeiro um grupo de idosos e o segundo, de mulheres gestantes. Para análise dos significados, usou-se a técnica de análise de discurso e referencial da promoção em saúde. Resultados: grupo de idosos, maioria feminina, portadores de hipertensão arterial e diabetes mellitus, visualiza o processo de saúde/doença como evolução da existência humana controlada pelo poder divino, significando o serviço de saúde como uma bênção no controle da doença. O grupo de gestantes jovens significou saúde como capacidade para autocuidado e doença como incapacidade para tal, concebendo o serviço de Atenção Primária como responsável pela recuperação da saúde individual e familiar. Considerações finais: os usuários demonstraram insatisfação com relações burocratizadas e verticalizadas presentes no serviço de saúde. Observou-se, em cada grupo, que significados para saúde e doença e significados do serviço de saúde elaborados pelos usuários podem estar relacionados.

O ambiente da prática profissional e Burnout em enfermeiros na atenção básica

The environment of professional practice and burnout in nurses in primary healthcare

Vera Regina Lorenz; Edinêis de Brito Guirardello

Objetivos: avaliar percepções dos enfermeiros sobre autonomia, controle sobre o ambiente, relação profissional entre enfermeiro e médico e suporte organizacional e correlacioná-las com Burnout, satisfação no trabalho, qualidade do cuidado e intenção de deixar o trabalho, na atenção básica. Método: estudo transversal e correlacional, com amostra de 198 enfermeiros. Foram utilizados o Nursing Work Index Revised, o Inventário de Burnout de Maslach e uma ficha de caracterização do enfermeiro. Para análise dos dados, foi realizada estatística descritiva e utilizado o coeficiente de correlação de Spearman. Resultados: os enfermeiros avaliaram que o ambiente é parcialmente favorável para: autonomia, relação profissional e suporte organizacional e que há pouco controle sobre o mesmo. Evidenciaram-se correlações significativas entre o Nursing Work Index Revised, o Inventário de Burnout de Maslach e as variáveis: satisfação no trabalho, qualidade de cuidado e intenção de deixar o trabalho. Conclusão: percepções dos enfermeiros acerca do ambiente da prática correlacionam-se com Burnout, satisfação no trabalho, qualidade do cuidado e intenção de deixar o trabalho. Este estudo fornece subsídios para reestruturação de processos de trabalho no ambiente da atenção básica e para comunicação entre as áreas de gestão de serviços de saúde, recursos humanos e saúde do trabalhador.

Síndrome de Burnout entre estudantes de graduação em enfermagem de uma universidade pública

Burnout syndrome among undergraduate nursing students at a public university

Jamila Geri Tomaschewski-Barlem; Valéria Lerch Lunardi; Guilherme Lerch Lunardi; Edison Luiz Devos Barlem; Rosemary Silva da Silveira; Danielle Adriane Silveira Vidal

Objetivo: investigar a síndrome de Burnout e sua relação com variáveis sociodemográficas e acadêmicas, entre estudantes de graduação em enfermagem de uma universidade pública do Sul do Brasil. Método: estudo quantitativo, realizado com 168 estudantes, mediante a aplicação de uma adaptação do Maslach Burnout Inventory - Student Survey, validada para este estudo. Utilizou-se a análise descritiva e de variância para análise dos dados. Resultados: constatou-se que os estudantes não apresentam a síndrome de Burnout, manifestando médias altas em exaustão emocional, baixas em descrença e altas em eficácia profissional; que estudantes mais jovens e que realizam atividades de lazer apresentam maior eficácia profissional, diferentemente de estudantes das séries iniciais e que não realizam atividades extracurriculares; conciliar trabalho e estudos influenciou negativamente apenas o fator eficácia profissional, enquanto a intenção de desistir do curso influenciou negativamente os fatores descrença e eficácia profissional. Conclusão: faz-se necessário o reconhecimento das situações que levam os estudantes à exaustão emocional, considerando a especificidade de seus ambientes de formação.

Aplicação de gráficos nightingaleanos para avaliação da heterogeneidade de Resíduos de Serviço de Saúde de um hospital

Applying Nightingale charts to evaluate the heterogeneity of biomedical waste in a Hospital

Janini Cristina Paiz; Marcio Bigolin; Vania Elisabete Schneider; Nilva Lúcia Rech Stedile

Objetivo: avaliar a heterogeneidade dos Resíduos de Serviço de Saúde por meio da aplicação de gráficos nightingaleanos. Método: estudo transversal, que consiste na coleta de dados sobre resíduos (observação direta dos locais de armazenamento, caracterização física e composição gravimétrica), desenvolvimento de um Sistema de Informação Gerencial e construção de gráficos estatísticos. Resultados: os resíduos que apresentam maior grau de heterogeneidade são os recicláveis, infectantes e orgânicos, respectivamente; o resíduo químico atingiu maior eficiência na segregação; os gráficos nightingaleanos são úteis na visualização rápida e na sistematização das informações sobre a heterogeneidade. Conclusão: o desenvolvimento de um sistema de informação gerencial e a utilização dos gráficos nigthingaleanos permite identificar e corrigir erros na segregação dos resíduos que impactam tanto no aumento de riscos à saúde e de contaminação por resíduos infectantes e químicos como na redução da comercialização e receita com os recicláveis.

Fatores associados à satisfação no trabalho em Centros de Atenção Psicossocial

Factors associated with satisfaction at work in Psychosocial Care Centers

Sonia Regina da Costa Lapischies; Vanda Maria da Rosa Jardim; Luciane Prado Kantorski

Objetivos: analisar a prevalência de satisfação no trabalho e identificar fatores associados em Centros de Atenção Psicossocial. Método: estudo transversal com 546 trabalhadores de 40 Centros de Atenção Psicossocial, da Região Sul do Brasil. A satisfação foi identificada a partir da Escala de Avaliação da Satisfação da Equipe de Saúde Mental e a análise ajustada dos dados, realizada por modelo de regressão logística. Resultados: prevalência de satisfação no trabalho de 66,4%. Fatores diretamente associados à satisfação: função de nível superior (excetuando médicos e psicólogos), tempo de trabalho menor ou igual a seis meses, realização de maior número de visitas domiciliares, boa supervisão pela equipe, possibilidade de fazer escolhas coletivas e cursos. Conclusões: a satisfação está associada à organização e às condições do trabalho e demonstra necessidade de se investir em supervisão pelas equipes, em processos que democratizem os serviços e, também, na formação de seus trabalhadores.

Carga horária de trabalho dos enfermeiros e sua relação com as reações fisiológicas do estresse

Nurses’ workload and its relation with physiological stress reactions

Rita de Cássia de Marchi Barcellos Dalri; Luiz Almeida da Silva; Aida Maria Oliveira Cruz Mendes; Maria Lúcia do Carmo Cruz Robazzi

Objetivo: analisar a relação entre a carga horária de trabalho e as reações fisiológicas do estresse, entre enfermeiros de unidade hospitalar. Métodos: estudo transversal, correlacional, quantitativo, realizado com 95 enfermeiros em 2011 e 2012. De forma bivariada, utilizou-se o teste de correlação de Spearman. Resultados: a maioria dos sujeitos pertencia ao sexo feminino, faixa etária entre 23 e 61 anos, trabalhando de 21 a 78 horas semanais. As reações fisiológicas mais frequentes foram dores lombares, fadiga/exaustão, rigidez no pescoço e acidez estomacal, sendo que 46,3% dos sujeitos apresentaram baixas respostas fisiológicas ao estresse e moderadas em 42,1%. Não houve correlação entre a carga horária de trabalho e as reações fisiológicas do estresse. Conclusão: embora a maioria dos enfermeiros exercesse suas funções por mais de 36 horas/semana, fisiologicamente não apresentavam reações elevadas de resposta ao estresse. Tais trabalhadores lidavam com conflitos nas relações verticais e horizontais entre profissionais, familiares e pacientes. Nesse sentido, cuidar de profissionais que oferecem serviços de saúde pode ser estratégia fundamental, uma vez que bons atendimentos aos usuários dependem, principalmente, de equipes saudáveis.

Problemas adaptativos de pacientes em hemodiálise: aspectos socioeconômicos e clínicos

The adaptation problems of patients undergoing hemodialysis: socio-economic and clinical aspects

Cecília Maria Farias de Queiroz Frazão; Jéssica Dantas de Sá; Ana Beatriz de Almeida Medeiros; Maria Isabel da Conceição Dias Fernandes; Ana Luisa Brandão de Carvalho Lira; Marcos Venícios de Oliveira Lopes

Objetivos: identificar os problemas adaptativos de Roy em pacientes submetidos a hemodiálise e correlacioná-los aos aspectos socioeconômicos e clínicos. Método: estudo transversal, realizado através de um formulário. A amostra foi de 178 indivíduos. Efetuaram-se os testes qui-quadrado e U de Mann-Whitney. Resultados: os problemas adaptativos e os aspectos socioeconômicos e clínicos que apresentaram associações estatísticas foram: hipercalemia e idade; edema e renda; deficiência de um sentido primário: tátil e renda; falha no papel e idade; disfunção sexual e estado civil e sexo; deficiência de um sentido primário: visão e anos de estudo; intolerância à atividade e anos de estudo; dor crônica e sexo e anos de estudo; integridade da pele prejudicada e idade; hipocalcemia e acesso; potencial para lesão e idade e anos de estudo; nutrição menor que as necessidades do organismo e idade; deficiência de um sentido primário: audição e sexo e avaliação cinética da ureia; mobilidade andar e/ou coordenação restritas e meses de hemodiálise e perda de habilidade de autocuidado e meses de hemodiálise e meses de doença. Conclusão: problemas adaptativos da clientela hemodialítica podem sofrer influências de dados socioeconômicos/clínicos. Tais achados contribuem para o desenvolvimento da profissão, proporcionando reflexão por parte do enfermeiro acerca do cuidado.

Circunferência do pescoço como possível marcador para síndrome metabólica em universitários

Neck circumference as a potential marker of metabolic syndrome among college students

Dayse Christina Rodrigues Pereira; Márcio Flávio Moura de Araújo; Roberto Wagner Júnior Freire de Freitas; Carla Regina de Souza Teixeira; Maria Lúcia Zanetti; Marta Maria Coelho Damasceno

Objetivo: relacionar a circunferência do pescoço com a síndrome metabólica e seus critérios em universitários. Método: estudo transversal, realizado com 702 universitários de Fortaleza, CE, Brasil, no período de setembro de 2010 a junho de 2011. Coletaram-se dados sociodemográficos, circunferência da cintura, circunferência do pescoço, níveis de pressão arterial e glicemia plasmática de jejum, triglicerídeos e lipoproteína de alta densidade. Resultados: 1,7% da amostra investigada tinha a síndrome metabólica. Desses, 58,3% apresentaram circunferência do pescoço alterada (p<0,006). Na medida em que decresce a circunferência do pescoço, os valores pressóricos dos universitários melhoram (p<0,001). Também, observou-se que universitários com valores de glicemia de jejum plasmática (p=0,003) e triglicerídeos (p<0,001) elevados apresentaram maiores valores de circunferência do pescoço. Conclusão: a circunferência do pescoço mostrou-se um possível marcador preditivo para detecção da síndrome metabólica e seus componentes em universitários.

“O grupo facilita tudo”: significados atribuídos por pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 a grupos de educação em saúde

“The group facilitates everything”: meanings patients with type 2 diabetes mellitus assigned to health education groups

Lucas Pereira de Melo; Edemilson Antunes de Campos

Objetivo: interpretar os significados atribuídos por pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 a grupos de educação em saúde. Método: estudo etnográfico em cinco grupos Hiperdia de um centro de saúde, com 26 informantes portadores de diabetes mellitus tipo 2 que participavam dos grupos há, no mínimo, três anos. Para coligir as informações, utilizaram-se observação participante, caracterização social, grupos de discussão e entrevistas semiestruturadas. Os dados foram analisados por meio da técnica de codificação temática. Resultados: emergiram quatro categorias temáticas - facilidades de acesso ao serviço e profissionais de saúde, orientações sobre o diabetes, participação nos grupos e experiência com o diabetes e compartilhamento de saberes e experiências. O aspecto mais relevante deste estudo diz respeito aos usos sociais que os informantes conferiam aos grupos Hiperdia pesquisados. Conclusão: os grupos estudados mostraram-se como instâncias produtoras de sentidos e de significados, concernentes ao processo de adoecimento e aos modos de navegação social no interior do sistema oficial de saúde. Almeja-se que este estudo possa contribuir para as ações dos profissionais de saúde que atuam nesses grupos, tendo em vista a observação do universo cultural dos indivíduos que procuram por cuidado profissional, nos diversos serviços públicos de saúde.

O desconforto e inquietação do sujeito em seu movimento de interpretação de um questionário sobre a tuberculose

Discomfort and unease of the subject in the interpretation movement of a Tuberculosis questionnaire

Rarianne Carvalho Peruhype; Laís Mara Caetano da Silva; Elisângela Gisele de Assis; Ana Carolina Scarpel Moncaio; Lenilde Duarte de Sá; Pedro Fredemir Palha

Objetivo: propor uma discussão a respeito de vestígios da derivação de sentidos, do desconforto e resistência dos sujeitos, quando convocados a significar um questionário referente à transferência da política do tratamento diretamente observado da tuberculose, de modo a revelar as limitações de questionários fechados, quando se trata do processo interpretativo do sujeito. Método: profissionais de saúde de uma Unidade de Atenção Primária de Saúde de Porto Alegre, RS, foram entrevistados e alguns recortes das entrevistas examinados à luz da Análise de Discurso de linha francesa. Resultados: observou-se a resistência, o incômodo, o deslizamento, o silenciamento e a derivação dos sentidos no ato de interpretação dos sujeitos. Conclusão: o processo de interpretação é polissêmico e varia de sujeito para sujeito. O questionário, enquanto um protótipo do universo logicamente estabilizado, falha quando o propósito é o de controlar a interpretação. O seu uso de forma isolada, em pesquisas em saúde, pode incorrer em inexatidão ou incompletude dos dados obtidos, sendo ideal a sua utilização associada a técnicas qualitativas de pesquisa.

Qualidade de vida, características clínicas e adesão ao tratamento de pessoas vivendo com HIV/AIDS

Quality of life, clinical characteristics and treatment adherence of people living with HIV/AIDS

Ana Cristina de Oliveira e Silva; Renata Karina Reis; Jordana Almeida Nogueira; Elucir Gir

Objetivos: avaliar a qualidade de vida das pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana/síndrome da imunodeficiência adquirida e suas associações com características clínicas e adesão ao tratamento. Método: estudo transversal, realizado em um hospital do Estado da Paraíba. Utilizou-se questionário para caracterização sociodemográfica e clínica, escala de qualidade de vida (proposta pela Organização Mundial da Saúde) e escala de adesão ao tratamento (Questionário para Avaliação da Adesão ao Tratamento Antirretroviral). Resultados: dos 314 entrevistados, 190 (60,5%) eram do sexo masculino, idade média de 43 anos, 121(38,5%) contavam com até cinco anos de estudo, 108 (34,4%) recebiam até dois salários-mínimos e 112 (35,7%) estavam afastados das atividades laborais. Quanto às variáveis clínicas, identificou-se que os indivíduos com carga viral indetectável apresentaram maiores escores em todos os domínios de qualidade de vida, com diferença estatisticamente significante em três domínios. Sobre a adesão ao tratamento, 235 (73,8%) apresentaram adesão insuficiente, os que apresentaram adesão estrita obtiveram melhores escores de qualidade de vida. Os resultados mostraram que a qualidade de vida é melhor para os aderentes ao tratamento antirretroviral. Apoiar as pessoas em tratamento para melhorar a adesão aos antirretrovirais deve ser tarefa constante dos profissionais de saúde e de outras pessoas que participam do tratamento, como familiares e amigos.

Adaptação e Validação do Instrumento Inventory of Family Protective Factors para a cultura portuguesa

Adaptation and validation of the Inventory of Family Protective Factors for the Portuguese culture

Cláudia Cristina Vieira Carvalho de Oliveira Ferreira Augusto; Beatriz Rodrigues Araújo; Vítor Manuel Costa Pereira Rodrigues; Maria do Céu Aguiar Barbieri de Figueiredo

Objetivos: adaptar e validar o Inventory of Family Protective Factors para a cultura portuguesa. Esse instrumento avalia os fatores protetores que contribuem para a resiliência familiar. Os estudos sobre resiliência inserem-se no paradigma salutogênico, abordando os fatores protetores dos indivíduos, ou grupos, sem subestimar os fatores de risco ou vulnerabilidade. Método: para avaliar a equivalência linguística e conceitual do Inventory of Family Protective Factors realizou-se a tradução, retroversão e reflexão falada; para aferir as características psicométricas do instrumento, verificou-se a sensibilidade, confiabilidade e a validade dos resultados. Foi realizada uma análise fatorial de componentes principais com rotação Varimax dos itens da escala e calculou-se o coeficiente alfa de Cronbach para cada dimensão. Através de uma amostragem aleatória simples, aplicou-se esse instrumento a 85 famílias de crianças com necessidades especiais que o autopreencheram. Resultados: o Inventory of Family Protective Factors apresenta características psicométricas adequadas para a população portuguesa (alfa de Cronbach de .90). Conclusão: o Inventory of Family Protective Factors foi adaptado e validado para a cultura portuguesa. Considera-se que se trata de um instrumento útil para estudos nos quais há a proposta de avaliar os fatores protetores da resiliência familiar.

Fatores sociodemográficos e de saúde associados à dor crônica em idosos institucionalizados

Sociodemographic and health factors associated with chronic pain in institutionalized elderly

Maria Helena Barbosa; Alison Fernandes Bolina; Jordânia Lumênia Tavares; Aldenora Laísa Paiva de Carvalho Cordeiro; Raíssa Bianca Luiz; Karoline Faria de Oliveira

Objetivos: caracterizar a dor crônica em idosos institucionalizados e verificar os fatores associados. Método: estudo observacional, transversal, não experimental, com abordagem quantitativa. Participaram do estudo 124 idosos residentes nas Instituições de Longa Permanência para Idosos de um município de Minas Gerais, Brasil. O projeto aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa. Foram avaliadas variáveis clínicas e sociodemográficas dos idosos e aspectos relacionados à dor. Os dados foram analisados segundo estatística descritiva e análise bivariada (qui-quadrado). Resultados: observou-se prevalência de 58,1% de dor crônica; por mais de 10 anos (26,4%); em membros inferiores (31,9%); do tipo “pontada” (33,3%); 33,3% adotavam tratamento medicamentoso; não havendo fator de melhora (41,7 %) ou piora da dor (34,7 %). Evidenciou-se que idosos com 60├70 anos tiveram 70% menos chances de apresentarem dor crônica em relação aos de 80 anos e mais (p=0,018). Conclusão: idosos institucionalizados possuíam prevalência alta de dor crônica, principalmente em membros inferiores, não se identificou o fator melhora ou piora da dor e o tratamento medicamentoso foi evidenciado como primeira escolha. A idade revelou-se fator associado à presença de dor. Considera-se importante que ações multiprofissionais sejam realizadas nas Instituições de Longa Permanência para Idosos, para direcionar ações de prevenção e reabilitação dos episódios de dor nesses idosos.

Mortes por homicídios: série histórica

Deaths from homicides: a historical series

Flávia Azevedo de Mattos Moura Costa; Ruth França Cizino da Trindade; Claudia Benedita dos Santos

Objetivo: descrever a mortalidade por homicídios em Itabuna, Bahia. Método: estudo com delineamento híbrido, ecológico e de tendência temporal. Foram calculados os coeficientes de mortalidade por 1.000 habitantes, ajustados pela técnica direta, mortalidade proporcional segundo sexo e faixa etária e anos potenciais de vida perdidos. Resultados: desde 2005 as causas externas passaram de terceira para segunda causa de morte, sendo os homicídios responsáveis pelo incremento. Nos 13 anos analisados, os homicídios ascenderam 203%, com 94% desses óbitos incidindo na população masculina. Entre essa, o crescimento se deu principalmente na faixa etária de 15 a 29 anos de idade. Apurou-se que 83% das mortes foram por arma de fogo, 57,2% ocorreram em via pública e 98,4% na zona urbana. Em 2012, os 173 homicídios ocasionaram 7.837 anos potenciais de vida perdidos, com cada óbito provocando, em média, a perda de 45,3 anos. Conclusões: a mortalidade por homicídios em uma cidade de médio porte, na Bahia, atinge índices observados nas grandes metrópoles do país na década 1980, evidenciando que o fenômeno da criminalidade violenta - antes predominante apenas nos grandes centros urbanos – avança para o interior, provocando mudanças no mapa da violência homicida do país.

O Sistema Único de Saúde idealizado versus o realizado: contribuições da Enfermagem

The Idealized Brazilian Health System versus the real one: contributions from the nursing field

Dirce Stein Backes; Martha Helena Teixeira de Souza; Mara Teixeira Caino Marchiori; Juliana Silveira Colomé; Marli Terezinha Stein Backes; Wilson Danilo Lunardi Filho

Objetivo: conhecer a percepção de profissionais que atuam em uma instituição conveniada com o Sistema Único de Saúde sobre o que sabem, pensam e falam dessa política pública de saúde. Método: trata-se de estudo exploratório-descritivo, de caráter qualitativo, realizado com 28 profissionais que atuam em uma instituição conveniada com o Sistema Único de Saúde. Os dados foram coletados por meio de entrevistas com questões norteadoras e analisados pela técnica de análise de conteúdo temática. Resultados: os dados codificados e interpretados resultaram em três eixos temáticos: Sistema Único de Saúde - teia perfeita que não funciona na prática; o recorrente hábito de reclamar do Sistema Único de Saúde; a necessidade de repensar o modo de pensar, atuar e gerir o Sistema Único de Saúde. Conclusão: os profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde têm conhecimento dos princípios e diretrizes que regem o sistema de saúde nacional, no entanto, reproduzem um modelo de concepção e atuação dicotômico, pontual e linear ainda fortemente vigente no pensar da sociedade em geral.

Alarmes clínicos em terapia intensiva: implicações da fadiga de alarmes para a segurança do paciente

Clinical Alarms in intensive care: implications of alarm fatigue for the safety of patients

Adriana Carla Bridi; Thiago Quinellato Louro; Roberto Carlos Lyra da Silva

Objetivos: identificar o número de alarmes dos equipamentos eletromédicos numa unidade coronariana, caracterizar o tipo e analisar as implicações para a segurança do paciente na perspectiva da fadiga de alarmes. Método: trata-se de estudo quantitativo observacional descritivo, não participante, desenvolvido numa unidade coronariana de um hospital de cardiologia, com capacidade para 170 leitos. Resultados: registrou-se o total de 426 sinais de alarmes, sendo 227 disparados por monitores multiparamétricos e 199 alarmes disparados por outros equipamentos (bombas infusoras, hemodiálise, ventiladores mecânicos e balão intra-aórtico), nas 40h, numa média total de 10,6 alarmes/hora. Conclusão: os resultados encontrados reforçam a importância da configuração de variáveis fisiológicas, do volume e dos parâmetros de alarmes dos monitores multiparamétricos à rotina das unidades de terapia intensiva. Os alarmes dos equipamentos destinados a proteger os pacientes têm conduzido ao aumento do ruído na unidade, à fadiga de alarmes, a distrações e interrupções no fluxo de trabalho e à falsa sensação de segurança.

Prevalência de componentes metabólicos em universitários

Prevalence of metabolic components in university students

Ana Roberta Vilarouca da Silva; Luana Savana Nascimento de Sousa; Telma de Sousa Rocha; Ramiro Alves Marx Cortez; Layla Gonçalves do Nascimento Macêdo; Paulo César de Almeida

Objetivo: identificar a frequência dos componentes da síndrome metabólica em estudantes universitários. Método: estudo descritivo com 550 estudantes, de diversos cursos de uma universidade pública. Os dados socioeconômicos, o estilo de vida e os componentes da síndrome metabólica foram preenchidos por meio de um formulário. A coleta de sangue foi realizada na própria universidade por um laboratório de análises clínicas contratado. Resultados: 66,2% eram do sexo feminino, com idade média de 22,6+4,41; 71,7% eram sedentários; 1,8% afirmaram fumar e 48,5% estavam classificados como de médio risco para o alcoolismo. Ainda, 5,8% apresentavam circunferência abdominal elevada e 20,4% excesso de peso; 1,3% e 18,9% estavam com a glicemia de jejum e triglicerídeos elevados, respectivamente; 64,5% apresentaram lipoproteínas de alta densidade colesterol baixo e 8,7% níveis pressóricos compatíveis com pressão arterial limítrofe. Assim, da amostra, 64,4% apresentaram pelo menos um componente para síndrome metabólica; 11,6% tinham dois e 3,5% tinham três ou mais. Conclusão: boa parte da população já apresenta componentes para síndrome metabólica e esse perfil reforça a importância do diagnóstico precoce com o intuito de reduzir o risco de desenvolvimento de comorbidades crônicas.

Fatores associados à notificação de maus-tratos em crianças e adolescentes realizada por enfermeiros na Atenção Primária à Saúde

Factors associated with reporting of abuse against children and adolescents by nurses within Primary Health Care

Ana Carine Arruda Rolim; Gracyelle Alves Remigio Moreira; Sarah Maria Mendes Gondim; Soraya da Silva Paz; Luiza Jane Eyre de Souza Vieira

Objetivo: analisar os fatores associados à notificação de maus-tratos em crianças e adolescentes, realizada por enfermeiros que atuam na Atenção Primária à Saúde. Método: estudo transversal, realizado com 616 enfermeiros. Foi utilizado um questionário contendo dados sociodemográficos, formação profissional, instrumentação e conhecimento sobre o tema, identificação e notificação de casos de maus-tratos. Análises bivariada e multivariada por regressão logística foram realizadas. Resultados: predominaram enfermeiros do sexo feminino, na faixa etária entre 21 e 32 anos, não casados, com cinco ou mais anos de formado, com pós-graduação e com cinco ou mais anos de trabalho. O modelo logístico final evidenciou que fatores como tempo de trabalho de cinco ou mais anos, a unidade de saúde possuir a ficha de notificação, saber para onde encaminhar os casos, não ter medo de envolvimento legal e achar vantajosa a notificação na atenção primária facilitam a efetivação do ato notificatório. Conclusão: os resultados desta pesquisa, além de sensibilizar os enfermeiros para o problema, poderão ser utilizados pelos profissionais da gestão na orientação de estratégias para o cumprimento da notificação como dispositivo legal de garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

Fatores preditivos do uso de álcool e tabaco em adolescentes

Predictive factors of alcohol and tobacco use in adolescents

Alicia Alvarez Aguirre; María Magdalena Alonso Castillo; Ana Carolina Guidorizzi Zanetti

Objetivos: analisar o efeito da autoestima, assertividade, autoeficácia e resiliência sobre o consumo de álcool e tabaco em adolescentes. Método: estudo descritivo correlacional com 575 adolescentes, realizado no ano 2010. Foram utilizadas a Escala de Autoestima, o Questionário de Confiança Situacional, o Questionário de Assertividade e a Escala de Resiliência. Resultados: o ajuste do modelo de regressão logística, considerando a idade, sexo, autoestima, assertividade, autoeficácia e resiliência mostra significância no consumo de álcool e tabaco. A idade, resiliência e assertividade predizem o consumo de álcool em algum momento na vida, e a idade e assertividade o consumo no último ano, da mesma forma que a idade e o sexo predizem o consumo de tabaco em algum momento na vida e a idade no último ano. Conclusão: este estudo pode proporcionar informações importantes para o planejamento de intervenções de enfermagem em adolescentes usuários de álcool e tabaco.

Financiamento:CNPqSIBi

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